quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A QUEDA DO PILAR CENTRAL. Segunda parte.

Não importa o quanto esteja cansado quando estou dormindo tenho o sono extremamente leve. Por ter o sono leve despertei no meio da madrugada ao ouvir o toque do meu celular que se encontrava no interior de minha mochila.

Celulares tocando no meio da noite nunca são coisas boas. Celulares tocando de madrugada sempre são coisas para la de ruins.

Ao pegar meu celular na bolsa vi que era o numero de minha prima e gelei de cara, pois esta estava dormindo no hospital com minha avó.
Ao atender ouvi a voz de minha prima num tom que misturava tristeza e panico.
Suas palavras foram diretas a a frase que se formou de sua boca falou exatamente o que eu temia... Minha avó havia falecido.

Sem forças para responder ou deter as lagrimas que escorriam pelo meu rosto ouvi minha prima dizer chorando que precisava de mim la, pois estava sozinha e não sabia o que fazer.
Com muita dificuldade e voz tremula disse a ela que estava indo para la.
Nesse momento Aquela que se tornou meu mundo despertou e ao me ver chorando e tremendo deduziu o obvio e e me abraçou chorando.

Foi preciso um tempo para me recompor e conseguir me levantar.
Depois de ir ao banheiro e me entregar ao desespero lavei meu rosto e sai pronto para ir ao hospital.
Antes de sair liguei para meu irmão e contei o que houve.

No caminho para o hospital o tempo feio não exitou em derramar chuva sobre minha cabeça. Apesar de fria a chuva nem me abalou, pois estava anestesiado.

No hospital encontrei meu irmão e juntos saímos a procura de minha prima.
Procuramos por todo o hospital e não a encontramos então nos disseram que ela podia estar com o corpo de minha avó no local onde ela estaria sendo preparada para ser velada.

Assim fomos ate la.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A QUEDA DO PILAR CENTRAL. Primeira parte.

Quando eu era pequeno e via meus amigos perdendo seus ante-queridos eu ficava apavorado e temendo perder meus ante-queridos também.

Depois que vi o sofrimento de um de meus amigos ao perder sua mãe eu mal conseguia dormir de medo de perder a minha.

Conforme eu cresci percebi que cada caso era um caso e quando consegui finalmente perder o medo de perder minha mãe eis que tal tragedia cai sobre minhas costas.
Demorou muitos anos para eu parar de chorar a morte daquela que me deu vida e quando enfim eu conseguia seguir em frente outro ante querido partia de minha vida.

Foram tantas as perdas que sofri que eu devia ate estar calejado, mas não estava.
Morte apos morte era acompanhado de uma dor sem fim.
Sempre achei que estava sendo punido por algo e que meu destino era acabar sozinho, mas mesmo depois de perder meus pais, padrinhos e tios eu ainda tinha minha avó que era meu porto seguro e com quem podia sempre contar.

Mesmo depois de quebrar o femor, ficar acamada e com a cabeça fraca, em seus momentos de lucidez ela ainda exercia a função de pilar central que mantinha nossa família de pé.

Assim como aconteceu com minha mãe; que faleceu assim que parei de temer sua morte estava para acontecer com minha avó.
Depois de visita-la no hospital e ouvir sua voz depois de dias de silencio o medo de perde-la desapareceu, mas esse era apenas uma leve brisa que anunciava a tempestade que estava por vir.

Depois do trabalho contei a meu amor tudo sobre a visita a minha avo e esta também ficou muito contente.
Como estávamos exaustos do trabalho e eu estava a dias sem dormir direito em casa devido as brigas do meu irmão com a minha cunhada decidimos dormir ali na casa Daquela que se tornou minha vida mesmo.
Assim que botei minha cabeça no travesseiro adormeci com esperança de que amanhã seria um otimo dia e que talvez ate minha avó pudesse enfim deixar aquele leito hospitalar.

A HORA DO PESADELO SE APROXIMA.

Dois dias haviam se passado desde que minha avó foi hospitalizado e seu estado parecia ter se deteriorado.

Nada que eu fazia parecia bom, pois meu pensamento estava apenas nela.
Nos horários de visita diurno eu estava sempre indo la para ver como ela estava por que sabia que na visita da tarde não era possivel visita-la devido ao meu trabalho
Hoje fui na esperança de encontra-la melhor, mas minhas esperanças cairão por terra, pois ela estava na mesma para pior e não estava conseguindo nem falar direito.

Sai do hospital ainda mais preocupado e temendo pelo pior.
Fui trabalhar com a mente nela e tamanha era minha preocupação que não passou despercebido pelos meus superiores.
Depois de contar a minha encarregada o que estava havendo esta me liberou mais cedo para ir visita-la no período da tarde.

Sem exitar fui para o hospital e consegui vê-la. Apesar de muito fraca consegui encontra-la acordada e "conversar" um pouco com ela. Na verdade só eu falava ja que ela estava respirando com a ajuda de aparelhos e apenas resmungava.
Quando minha hora de voltar para o trabalho chegou precisei me despedir dela e expliquei que tinha de voltar ao trabalho. Esta compreendeu e com muito esforço conseguiu me dizer: Deus te abençoe.

Ao ouvir sua voz fiquei mais aliviado e sai de la com minhas esperanças renovadas e acreditando em sua melhora.
De volta ao trabalho consegui me concentrar melhor em minhas funções e voltei aos meus afazeres.