A unica coisa que passava pela minha cabeça era: por que tantas pessoas por ai crescem se casam e tem filhos e ainda tem seus pais e avós vivos ao seu lado para apoia-los, dar conselhos e festejarem juntos e eu não.
Agora era inútil ficar pensando nisso, pois todos na minha família estavam mortos.
Tentei comer alguma coisa, mas não consegui e quando me dei conta já era hora de ir velar minha avó.
Diferente de todas as pessoas minha avó não seria velada no velório da da cidade mas sim na igreja do meu bairro onde esta foi zeladora por mais de cinquenta anos.
Quando cheguei em frente a igreja precisei me esforçar para entrar e a cada passo que dava me vinha a mente flashs da ultima vez que assisti uma missa ali.
A ultima missa que havia visto ali era a de sétimo dia da minha mãe e isso foi a mais de 15 anos.
Quando enfim entrei vi que a igreja ainda não estava cheia mas reconheci alguns amigos da vizinhança e parentes.
Bem ao centro estava o caixão com a mulher mais forte do mundo.
Ao olhar para ela desmoronei e se não fosse por meu amor ali do meu lado acredito que teria caído ao chão como uma criancinha fazendo manha.
Para me recompor Aquela que se tornou minha vida me levou para fora da igreja.
La fora pude me acalmar um pouco, mas a cada parente ou amigo próximo que vinha me abraçar desejando me condolências eu voltava a chorar.
Assim a tarde caiu e quando me dei conta o padre já estava se preparando para rezar pondo um fim ao velório.
A igreja ficou cheia e todos pareciam me olhar. As palavras do padre foram muito bonitas e fizeram muita gente chorar.
No fim da oração um de meus primos fez exatamente como minha avó fazia depois de cada missa naquela igreja dando um grande grito de viva ao padroeiro da igreja e ao padre.
Naquele momento mesmo em meio as lagrimas não consegui conter minha risada.
Depois disso nos dirigimos para o carro e seguimos ate o cemitério.
No cemitério foi mais rápido, pois era minha avó quem costumava pedir para que abrissem o caixão mais uma vez antes de enterrar e como ela não estava mais entre nos acredito que esta tradição chegou ao fim também.
Ao sair do enterro estava sem chão.
Eu não sabia o que fazer e nem como seria daquele dia em diante.
Peguei carona com minha prima e seu namorado e voltei para casa.
Paramos na casa de minha prima e fizemos um lanchinho. Em seguida voltei para casa de meu amor que não queria me deixar sozinho.
Na casa Daquela que se tornou minha vida agradeci com toda minha alma por ela ter ficado ao meu lado, pois não sabia se suportaria passar por aquele dia sem ela.
Passei aquela noite na casa de meu amor e ao me deitar rezei mais uma vez pedindo para que Deus cuidasse da minha avó e para que este dissesse a ela que me desculpasse se eu havia sido um neto ruim e por não ter demonstrado melhor o quanto ela era importante para mim.