terça-feira, 29 de setembro de 2020

NADA É TÃO RUIM QUE NÃO PODE PIORAR. parte 1

Hoje quando parei para refletir acho difícil de acreditar como pode um ano começar tão mal. 
Não dá nem para acreditar que estávamos apenas no segundo mês do ano e o desespero batia a porta dia sim dia não.

Perder a moto foi um choque e tanto que dificilmente poderia ser superado mas, parecia que 2017 estava disposto a tentar superar está tragédia a todo custo. Depois que Aquela que se tornou minha noiva pediu demissão passamos a questionar a decisão de permanecer morando em nossa nova casa. Nunca esquecerei a sensação que senti ao me mudar para esta casa e os meses de alegria que desfrutamos ali mas, desde que ficamos sem moto tem sido uma tortura subir e descer todos os dias do bairro mais alto da cidade até o centro.
Até mesmo para comprar pão pela manhã precisávamos descer metade do caminho o que nos deixava exaustos e estressados.

Além disso começamos a sentir o peso do aluguel e das contas de água e luz que dividimos igualmente com o proprietário da casa que morava no andar de baixo e claramente consumia o dobro de luz e água que a gente. Para piorar ainda mais meu inquilino decidiu deixar a casa assim que o contrato dele encerrou me deixando na mão pois, usava o dinheiro do aluguel dele para pagar o meu.

Sem muitas opções fomos forçados a sair da casa que alugamos para ir morar na minha casa de aluguel ( o que era o certo a se fazer mas, de preferência após completarmos um ano na casa nova para podermos recuperar o dinheiro que havíamos deixado de caução.) que apesar de longe nos permitiria juntar dinheiro para comprar outra moto. Sem falar que nessa altura do campeonato estávamos tão exaustos de subir e descer aquele morro que preferimos andar dois kms a mais a pé até o trabalho do que subir até onde morávamos a pé toda santo dia.

Decididos fomos até a imobiliária avisar que estaríamos deixando a casa e ver o quanto conseguiríamos recuperar do caução para fazer a mudança para nossa casa no São Geraldo.


TENTANDO SER EU MESMO NUM MUNDO QUE ESTA EM CONSTANTE MUDANÇA.

Desde muito pequeno eu sou uma pessoa rotineira e apegado ao ritmo da minha vida ficando extremamente irritado quando tinha de fazer algo que me tiraria de minha rotina. 
Mesmo assim o mundo esta sempre em constate mudança e acaba que forçando a gente a se adaptar a novas rotinas e isso se torna cada vez mais comum conforme você cresce.

No decorrer dos anos tive que abrir mão de minhas rotinas várias e várias vezes porém sempre conseguia criar novas e mante-las por longos períodos de tempo como anos por exemplo.

Após a perda de minha moto me vi diante de uma nova mudança na minha rotina pois, sem ela levava o dobro do tempo para fazer tudo e por isso tive que alterar coisas como por exemplo almoçar mais cedo para sair mais cedo de casa para trabalhar e estar sempre atento para não se esquecer nada ao sair pois, não poderia voltar para buscar.

Nas primeiras semanas isso foi muito estressante para mim mas, como trabalhava junto com Aquela que se tornou minha noiva esta me ajudou a se adaptar mais rapidamente a essa nova rotina.
O que eu não contava era que bem próximo de me acostumar com o novo ritmo as mudanças voltariam a acontecer como aconteceu está tarde...

Meu amor e eu estávamos cansados das falsas promessas de melhorarem nosso horário de trabalho e de ver as pessoas que não mereciam serem beneficiadas com uma mudança significativa. Ambos estávamos fartos e prestes a explodir e foi o que aconteceu com Aquela que se tornou minha noiva.

Farta de ver a empresa dar mais valor a quem não merece dando os privilégios que ela batalhou para conquistar para quem não merecia Aquela que se tornou minha noiva perdeu a cabeça e perdeu demissão. Por mais que eu quisesse fazer o mesmo nós não podíamos ficar os dois desempregados pois, tínhamos nossas contas mensais para pagar.

Felizmente meu amor compreendeu isso com apenas uma troca de olhares e partiu me dizendo que esperaria em casa.
Eu fiquei muito triste por não valorizarem meu amor que sempre fez um ótimo trabalho e também por pensar que não estaríamos mais o tempo todo juntos e por fim por imaginar que mais uma vez tudo voltaria a mudar na nossa rotina.

Diante de todas essas mudanças aproveitei o dia seguinte que era minha folga e me dirigi para o único lugar que no passado me trouxe muita paz e que no meio de todas essas mudanças permanecia o mesmo; o porto Itaguaçu perto de onde nasci e cresci.

Dizer que desde que me considero por gente o porto nunca mudou seria uma grande mentira mas, nesse caso as mudanças foram positivas e em nada alteraram o que o lugar me proporcionava para mim... Paz.

sábado, 26 de setembro de 2020

CAPÍTULO NEGRO.

Para muitas pessoas o início de um novo ano é como o início de um novo capítulo em suas vidas. O primeiro mês do ano geralmente trás com ele a esperança de que este será um bom ano e até mesmo sinais de que este possa ser o "seu ano".

Para mim era assim até que na primeira semana do ano de 2017 um de meus maiores temores se concretizaram...roubaram minha moto.

Uma semana se passou desde então e toda manhã acordo e olho para o celular na esperança de ver uma mensagem ou ligação de alguém que possa me dar alguma notícia da minha moto mas, nada acontece.
Minha rotina mudou drasticamente desde que perdi minha moto. Para começar havíamos nos mudado para um bairro que ficava bem acima da cidade então para ir trabalhar tínhamos que descer e subir uma grande subida que acabava com qualquer um. Em todo lugar que eu ia todos me olhavam com cara de dó e so sabiam ficar me perguntando se eu tinha alguma novidade sobre a moto e me pedindo para recontar como foi que a roubaram e para terminar todo som de moto que eu ouvia era como uma faca rasgando meu peito.

Como eu havia dito ates para muitas pessoas o inicio de um novo ano era como o inicio de um novo capitulo em minha vida e para mim esse capitulo nada mais era do que um capitulo negro que eu não tinha duvidas de que estaria eternamente enraizado na minha historia como um dos piores momentos de minha vida... e o pior esse era apenas o inicio do ano.

Twister 2006 roubada no dia 06/01/2017

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O DIA QUE CORTARAM MINHAS ASSAS. parte final

Eu sinceramente nunca me interessei pela profissão de polícial, apesar de que três grandes amigos meus terem se tornado políciais, mas eu sempre achei que sua principal função deveria ser ajudar as pessoas, protege-las e dar esperança.
É decepcionante ouvir daqueles que você espera por esperança e ouvir eles fizerem apenas para que eu não tenha esperança.

Depois de fazer o boletim de ocorrência e ouvir dos políciais que dificilmente eu recuperaria a moto Aquela que se tornou minha noiva e eu voltamos para casa de ônibus.

No caminho meu amor ligou para nosso trabalho avisando do acontecido e informando que não iríamos trabalhar.
Eu cheguei em casa e só queria me deitar.
Aquela que se tornou minha noiva estava tão triste como eu mas a diferença era que ela conseguia se expressar. Sua voz soava trêmula e seus olhos se permitiam lagrimejar. Além disso tudo eu podia reconhecer na sua expressão um semblete de preocupação.

Ela sabia que se eu não libertasse toda aquela agonia que carregava no peito eu na certa explodiria mais a frente e isso me faria mal. O fato era que eu não conseguia.

Apenas de uma coisa eu tinha certeza; um pássaro que perde suas assas nunca mais volta a voar e era exatamente como eu me sentia preso ao chão vendo todos meus amigos voarem para longe e eu ficando para trás apenas com as lembranças da única coisa de valor que meu pai havia me deixado...

O DIA QUE CORTARAM MINHAS ASSAS. Terceira parte.

Muitas pessoas diante de seus piores temores gritam em Pânico ou mesmo derramam lágrimas de desespero... Comigo foi diferente.

Eu olhava perplexo para o local onde havia estacionado minha moto que agora encontrava-se vazio e não conseguia expressar nenhuma reação. Era como se meus sentidos estivessem se esvaindo a começar pelo tato me impedindo de se mover e seguido pelo paladar que me impedia de falar pois, minha garganta estava seca e meu maxilar travado, comecei a ficar sem ar pois, sentia que meu nariz não servia pra mais nada, minha visão estava turva mas acredito que não fosse pela ausência de meu sentido da visão e sim pelo acúmulo de lágrimas que cresciam em meus olhos mas se recusavam a despencar e para finalizar minha audição devia estar falhando pois a voz de meu amor que sempre me acalmou não surtia efeito algum em mim e soava como se ela estivesse se afastando mesmo estando ao meu lado.

Só o que me lembro em seguida era de estar dentro da loja que ficava em frente a vaga que eu havia estacionado com pessoas me trazendo água e Aquela que se tornou minha noiva dizendo para eu tomar meu remédio de pressão.

Eu olhava para ela ao telefone e só intendia as palavras roubo e polícia saindo de sua boca. Aquela que se tornou minha noiva corria de um lado para o outro sem saber o que fazer até que um carro de polícia surgiu e está o fez parar.

Sem muito que poder fazer os políciais apenas pediram que nos fossemos a delegacia fazer um boletim de ocorrência e nos sem opção saímos da loja a pé em direção a delegacia. Um turbilhão de informações passava pela minha cabeça e era tudo tão confuso que eu não era capaz de intender e nem formular uma palavra.

Foi uma longa caminhada até a delegacia carregando nossos capacetes a única lembrança que nos restava de minha moto.